domingo, 9 de fevereiro de 2020

Posição da mulher

"A mulher, diferente do homem, mas não inferior a ele, será reconhecida como sua igual. Gozará dos mesmos direitos políticos e sociais, sem outros limites afora os que lhe forem colocados naturalmente, mas não legislativamente, por seu sexo. Assim como para o homem, o trabalho, este fundamento único da liberdade, será para ela um dever – e o único meio de seu sustento e de sua emancipação individual. Como os homens, terá o direito de associar-se com indivíduos dos dois sexos através do trabalho. Quando estiver grávida, e ela mesma cuidar de seus filhos, prestará através disto um serviço "público" e terá, por conseguinte, direito a uma remuneração "pública". As mulheres serão principalmente empregadas na primeira educação e instrução das crianças.
As crianças dos dois sexos, até à maioridade, vão-se encontrar sob uma dupla tutela: a tutela natural dos pais e a tutela superior de um comitê de educação e de instrução, nomeado pela comuna. Este comitê terá o dever de inspecionar a educação das crianças pelos pais, e, se achar que estes os negligenciam, os maltratam, ou os corrompam por seu exemplo, terá o dever de acusá-los frente a um júri comunal, que poderá até mesmo, no pior dos casos, tirar as crianças dos pais, para colocá-las num instituto de educação comunal, que será estabelecido em cada comuna, para as crianças órfãs, ou de pais pobres, ou de pais depravados, ou de pais separados, e cuja mãe não peça para cuidar O direito pretendido dos pais sobre as crianças é um direito excessivamente limitado. Os pais têm o direito de amar seus filhos e cuidar deles o quanto quiserem, mas não o de maltratá-los, de explorá-los como se faz hoje nas grandes fábricas, nem de falsear e ainda menos de matar sua inteligência, sua energia moral, nem de depravá-los. As crianças não pertencem nem a eles, nem a ninguém, eles se pertencem somente a si mesmos, à sua futura liberdade. Neles está, por outro lado, todo o futuro da sociedade, da comuna. Por conseguinte, é dever desta proteger sua liberdade nascente contra a miséria, contra o mau exemplo, contra as más doutrinas, e ate contra a estupidez ou a brutalidade possíveis de seus próprios pais."
- Mikhail Bakunin, "De baixo para cima e da periferia para o centro"

Nenhum comentário:

Postar um comentário